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AFETE-SE

Quem me afeta é só seu afeto

repleto, feliz e completo

quem me afeta é só quem eu quero

eu quero alegria, amor e sexo

quem me afeta é só quem é livre e feliz

me afeta o que você diz, poeta , por um triz

quando sua boca sabe a mel e desejo

ou sempre sua- seu nosso amor benfazejo

não tenho freios e não conheço noções

limites, espaços, afetações

sou ampla- amplo, completa-o e secreta-o

me partilho com você

sou em cada poro afeto

desperto

(Mavesper Cy Ceridwen, afetada pelos mais lindos afetos… em 20/08/2016. Amo meus amores!)

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Moendo-ser

Moendo-ser

Mim esmo, a esmo
em mim és mó
Moes a mim
em móis
moemos nós
Molesmóis
Moluscos
malucos
Esmoleres de nós
( Mavesper Cy Ceridwen,  se- moendo-se nas agruras da vida, e transformando em pó de estrelas a mesmíce da rotina…, Bsb, 04 de julho de 2016)

CORREIO DA MADRUGADA

Mosteiro_Jerónimos_abóbada (1)

Para caber o amor que você trouxe pra mim

meu coração é mais que catedral

pavilhão de exposições de Sampa

estádio olímpico

prédios pantagruélicos de gargântuas exuberantes

Lona de circo é pouco pra caber meu amor louco

Tábua de esmeraldas é barata,

meu amor não tem preço, nome ou endereço

Ele se move com vc,

anda, toma um monte de banhos e se enrola em cachinhos

escreve teses, salva o mundo e desenha coisas lindas.

Faz poesia,

se embriaga nas madrugadas malsãs e se recupera nos vegetarebos certinhos

historia a vida- minha, sua nossa, em grafites onipresentes num’alma

marca tudo em volta, envolve minha’alma

e beija, morde, almeja, planeja…

Esteja. Comigo, sempre, conosco tudo.

Te amo, peludo.

( Mavesper Cy Ceridwen, numa certa madrugada incerta, em 20 de abril de 2016, Bsb, of course)

Casa na Árvore

Construção de sonhos, fachadas de vidro, eucaliptos, teto, livros, caracóis, um estudo sobre liberdade.

Vida conjunta, mistérios de sedução, virtudes compartilhadas, tentações. Asas distantes, voos curtos.

Imagens solitárias, beleza conhecida, sugestões. Ideias fluidas, falas pontuais, graciosa oferta de licor.

Um tempo para o dia que passa por uma vaga noção de quanto o tempo leva para chegar. Acho que chegamos.

Sência

Um tempo de estar-se só em meio ao tempo de se ser sem medo, sem dúvidas, sem sempre nem nunca.

Um tempo de fazer-se ser sem se esquecer o tempo de se ser o já se foi que se será se sendo uma essência sida.

Um tempo de saber-se ser o que já se será sível, se sendo o que se é sempre nunca sem se ser sido.

A um tempo só se ser se sendo sido e sível.

Batráquio Memético

Mimetiza-se memetizando-se, esse Batráquio que reacende nossa Luz. Roda que gira, roda que se faz, roda que roda, ciranda familiar, um que são dois, e três, seis.

Mimetiza-se memetizando-se, esse Batráquio que brilha na Estrela. Roda que guia, roda que se perfaz, roda que enrosca, meios filhos, um que são dois, e três, seis.

Mimetiza-se memetizando-se, esse Batráquio que corre no Tempo. Roda esguia, roda que se refaz, roda que sobe, companhia, um que são dois, e três, seis.

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Corvo e Abelha, do outro lado do eixo batráquio, vértice em que giramos. Roda fugidia, roda que rarefaz, roda que dobra, distancia, um que são dois, e três, seis.

Origami descarrilado

Dobradura tão perfeita, o origami parecia uma flor real. Ou seria o inverso? Flor natural que de tão perfeita não poderia resultar do acaso, mas tão somente ser dobradura dos dedos de alguém? Dedos nas dobras, línguas que selam o destino, tempos de mudanças.

A menina que se desdobrava se queria borboleta, lépida, porém se fez mariposa e voou noite adentro, para longe da estrela e do tempo, para de lá mandar notícias de desalento.

Contrabandista de corações, em cada partida levava mais um pedacinho. Na madrugada, no entanto, voltava sorrateira. Não contente com o que já levara, tomava também alegria e esperança, deixando apenas tristeza e irritação, para devolvê-las, revolvê-las, na volta de uma frase.

Inconstância constante, isso é o que resta, restos de lençóis, toalhas, cheiros e pêlos, gotas de sangue, dobraduras flexíveis que conjugaram tempo e estrela numa flor que se dobrou sobre si mesma.

Flor fugidia, escoou paixões, irrompeu-se em cacos e fragmentos, reações sanguíneas. Idas e voltas, retornou ao ponto de partida sem sair da roda viva onde revolvia-se, roedora desatinada.

No fim, tudo se recobra e redobra, amores não sentidos, paixões fugazes, dúvidas recorrentes, inseguranças contínuas, quebras de confiança. Montanhas (ou seriam roletas?) russas, melhor parar, ou acelerar? Descarrilou-se.