SOBRE A POLÊMICA DO NOVO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Uma manifestação da IBWB – Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil

Vamos traduzir para vocês o que realmente aconteceu para que o agora famoso Dep. Pastor Marco Feliciano chegasse à Presidência da CDHM – Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Uma Comissão Permanente da Câmara dos Deputados, como a CDHM é um órgão temático, que tem por função centralizar uma discussão especializada sobre determinado tema de sua competência. Ela analisa proposições ligadas à sua área de atuação e opina. No caso da CDHM, direitos humanos e minorias.

Historicamente, desde que surgiu em 1999, essa Comissão sempre foi menina dos olhos do PT. Por ela, por exemplo, se tornaram possíveis a Comissão da Verdade, que analisa os crimes cometidos na ditadura militar e a lei de acesso à informação.

Por que é importante presidir uma comissão temática da Câmara dos Deputados? Porque cada projeto de lei que diga respeito aos temas da competência daquela Comissão vai ser analisado por ela e seu Parecer vai pesar quando houver uma votação em plenário de alguma proposta sobre a qual ela opinou. Algumas vezes as Comissões tem poder conclusivo, ou seja só elas votam e se ninguém recorrer, o Plenário da casa nem se manifesta, o projeto fica aprovado pela Câmara e vai ao Senado ou, se em revisão (projetos que já vêm do Senado) vai para a sanção da Presidente.

Mas quem decide o que será ou não analisado e votado pela CDHM? Seu Presidente. Por isso esse cargo é estratégico, porque se ele não gostar de alguma matéria, ele engaveta e não vota. Ou pior, consegue identificar se dos Deputados presentes na reunião de determinado dia só estão os que concordam com ele, e daí põe em votação. Isso pode fazer algumas coisas virarem leis, ou então já chegarem ao Plenário com uma avaliação positiva dada só por alguns poucos. A isso, a esse poder do Presidente, a ciência política chama PODER DE AGENDA. O Presidente de uma Comissão regula o que se discute ou o que não se discute, o que vai ser decidido e o que não.

Logicamente, sendo o Presidente um parlamentar com o perfil do Dep. Marco Feliciano, ele usará o poder de agenda para manipular as votações, só passando o que interessa aos fundamentalistas como ele.

Se olharmos o restante da composição da Comissão neste ano (sim, porque esses cargos duram só um ano!) a coisa fica ainda pior: analisando as informações que constam do próprio portal http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/conheca-a-comissao/membros , vemos que as vagas que deveriam ser do PMDB, mais algumas vagas que deveriam ser do PSDB e PTB foram TODAS cedidas ao tal PSC – Partido Social Cristão, do Presidente. Ele mesmo, Feliciano, ocupa uma vaga que deveria ser do PMDB.

Por que isso ocorreu?

Porque quando começa um novo ano legislativo, em fevereiro, os partidos decidem com que presidências de comissões querem ficar e que vagas eles vão ceder aos outros. Isso obedece ou a uma lógica chamada em política Escolha Racional ou a compromissos pré-estabelecidos. Ou seja, os partidos elegem prioridades em função do que querem ver aprovado ou em função de como vão parecer melhores para reelegerem seus membros e continuarem fortes. Claro que também nisso pesam coisas como a preocupação com o bem comum, o serviço ao país e nossa sociedade MAS há também a obediência a interesses corporativos, econômicos, disputas de poder, trocas.

Isso é ilícito, imoral, errado? Não. Isso é o que se chama Dinâmica Política. Vivemos numa sociedade que adotou o presidencialismo de coalisão, ou seja, o Brasil, mesmo com muitos partidos, achou um jeito de garantir a governabilidade: a composição e alianças partidárias.

Durante muitos anos, desde que foi criada a CDHM em 1999, o PT assumiu sua presidência. Essa Comissão foi palco de muitos debates históricos e teve como presidentes ou vices expoentes que dedicaram toda sua vida à defesa dos Diretos Humanos, como Nilmário Miranda, Helio Bicudo, Luiza Erundina, Maria do Rosário, Luiz Couto, Luiz Eduardo Greenhalg, Iriny Lopes e tantos outros.

Mas este ano, por algum motivo que só a direção do PT deve saber, o partido abandonou a presidência da CDHM, trocando-a pela da Comissão de Seguridade Social e Família. Não se pense que isso se deu por acaso: quem conhece a dinâmica da Câmara dos Deputados sabe ler nesse ato que provavelmente o Governo tem algo muito importante pra passar que é da competência daquela Comissão e não da CDHM. E isso justificou a opção pela saída da direção da CDHM.

Mas que mais ocorreu?

As bancadas cristãs do Congresso, que abarcam todos os parlamentares ligados a igrejas cristãs, de qualquer denominação – católicos, protestantes tradicionais e evangélicos pentecostais – são, sem exagero algum, mais de 70 % do Congresso Nacional. Isso só reflete a composição do povo brasileiro. Mas esse fato, embora breque discussões como a descriminalização do aborto, ou o casamento homoafetivo (que teve que ser “legislado”, regulado, pelo STF) não implica em perda de liberdades fundamentais.

É preciso que se diga: há uma enorme diferença entre essa maioria cristã e os fundamentalistas cristãos. Esses são uma minoria, embora barulhenta e cada vez mais ativa e ameaçadora. Muitos deles não tem pudor nenhum em admitir que querem todos convertidos a sua crenças e que isso faria o Brasil um país melhor, no seu entender. Melhor para quem cara pálida??? Quem tomou de assalto este ano a CDHM foram os radicais fundamentalistas.

E por que eles fizeram isso? O motivo é obvio: eles querem parar as conquistas da sociedade organizada, especialmente os GLBTS. Têm um medo imenso de que seja tornado crime a homofobia, porque assim temerão pregar contra gays. Logicamente, isso tem saídas jurídicas. Uma lei que criminalize a homofobia não precisaria calar os pastores que fazem uma condenação moral da homossexualidade. Seria perfeitamente possível uma lei que garantisse o direito de manifestação do pensamento deles e também a proteção penal contra a agressão aos GLBTS. Se o PT não tivesse saído da presidência dessa Comissão, seria esse o caminho a seguir. Claro que ninguém sabe como o Plenário votaria, já que a maioria é cristã, mas cremos que haveria uma enorme margem de possibilidade de aprovação do crime de homofobia, mesmo com as exceções pretendidas pelos líderes religiosos sobre seu direito de pregar contra ela.

MAS os fundamentalistas acharam o caminho das pedras: conseguiram não só pelo acordo com o PT sobre a presidência, mas também porque vagas do PMDB (4) e do PSDB (2) e PTB ( 1) foram cedidas ao mesmo partido do Dep. Marco Feliciano, o que gerou uma situação esdrúxula e de constitucionalidade muito questionável.

Uma Comissão da CD, qualquer que ela seja, para ser composta tem que obedecer o chamado Princípio da Proporcionalidade Partidária. Explicando: se nas urnas o Partido X obteve 50 % das vagas, o Partido Y obteve 25 % , o Partido Z, 10 %, quando se forma qualquer Comissão essas proporções são mantidas. Exemplificando: a CDHM tem 36 membros. No nosso cenário hipotético, o partido Z deveria ter 18 membros, o partido Y 9 membros e o partido Z 3 membros e as demais vagas iriam para partidos menos expressivos. MAS um partido poder CEDER suas vagas a outro. No cenário atual da CDHM tem 18 membros efetivos e 18 suplentes. Pasmem, o PSC – Partido Social Cristão, que por sua participação nas urnas deveria ter apenas 1 vaga, se tanto, tem 7 vagas, todas cedidas pelos seguintes partidos: PMDB, PSDB e PTB.

Então, chegamos à conclusão de que os responsáveis por esse absurdo, que não é apenas a eleição do Presidente homofóbico e racista, mas muito mais uma Comissão que se tornou refém de apenas UM partido de pouquíssima representatividade eleitoral e fundamentalista, são TODOS os partidos que se desinteressaram pela CDHM, seja deixando a possibilidade de presidi-la (culpa que não sabe só ao PT, mas a todos os partidos grandes, por exemplo se o PMDB a quisesse teria número de cadeiras para garantir a Presidência), seja deixando de colocar seus próprios membros nela e deixando suas vagas ao fundamentalista e não comprometido com os direitos humanos de verdade – o PSC.

Há nessa conjuntura boas e más noticias.

A primeira boa noticia é que mesmo que tudo fique como está e a Câmara dos Deputados insista em permanecer surda à indignação do Brasil todo, isso só durará um ano. Confio que no próximo ano legislativo, em fevereiro de 2014, cada um dos partidos que foi leviano com a CDHM este ano terá feito sua mea culpa e retomará seu lugar de direito, restabelecendo o equilíbrio na Comissão.

Má notícia: teremos um ano de palhaçadas com essa maioria fajuta, que conseguiu dar um “jeitinho” de driblar a Constituição Federal, tentando passar coisas absurdas e inconstitucionais como a ridícula lei do pai nosso nas escolas públicas, ou o absurdo “tratamento psicológico da doença gay”. Nada disso tem a menor possibilidade de virar lei, mesmo porque ainda há Deputados sérios e preocupados com os Direitos Humanos que não deixarão essas aberrações passarem pelo Plenário. E, em um cenário de caos, se passarem, temos o STF que cada vez mais se torna o paladino contra as cenas dantescas produzidas pelo Legislativo, como guardião da Constituição Federal.

Cremos que é um tempo de o Legislativo meditar sobre por que cada vez mais o STF tem que legislar, ou seja, quanto o Poder Legislativo tem sido omisso?

Portanto, calma budistas, judeus, pagãos, ateus, islâmicos, umbandistas, candomblecistas, hare krishnas, bruxas, rosacruzes, maçons, negros e pessoal GLBTS. Vocês não serão queimados nas fogueiras fundamentalistas porque ainda há guardiões da CF em nosso país, mesmo que alguns poucos legisladores tenham cochilado nessa sua missão…
Lição para o futuro: tomar cuidado com a composição das Comissões e a cessão de vagas.

Mas essas coisas sempre têm mão dupla: como os fundamentalistas cristãos viram na CDHM palco para seu proselitismo que eles querem impingir a todos, há o outro lado da moeda…Já pensaram em uma Comissão de agricultura, tratando do agronegócio, totalmente composta pelas vagas cedidas ao PSOL, ao PV ou ao novo partido da Marina Silva? Huehuehuehe Ou uma Comissão de Trabalho todinha composta pelo PSTU? Imaginem o que ocorreria…

O jogo político tem que contemplar situação e oposição, maioria e minoria. Isso gera o debate e ele é garantia de democracia. Quando a proporcionalidade partidária é flagrantemente violada como ocorreu agora na CDHM, toda a democracia brasileira sofre.
Aliás, acho que há bases para se questionar em Mandado de Segurança a constitucionalidade de composição de toda essa Comissão, porque um partido que deveria ter no máximo uma vaga tem 7 (entre titulares e suplentes)… Há quebra de garantias constitucionais relativas ao exercício do mandato, e creio que o STF deveria se manifestar e acabar com essa festa dos inquisidores… Mas isso é outra história.

Ações possíveis no quadro atual:

_ Continuar protestos e debates, deixando claro que o povo brasileiro, cristão ou não, se revolta com esses absurdos;

_ Pressionar os Deputados dos partidos que cederam as vagas ao PSC para que as RETOMEM, restabelecendo a composição legal e legítima da CDHM;

– Unir-se cada vez mais com pessoas e organizações realmente comprometidas com os Direitos Humanos ;

– NUNCA MAIS VOTAR EM PARLAMENTARES POR CAUSA DE SUA RELIGIÃO.

Ela me Leva

Jennifer Berezan canta sobre a prática do caminho de Bodhisattva. Ao meu coração, ela canta também para a Deusa. Com todo respeito à prática Budista da autora, e em homenagem à sua obra, segue uma versão em português de uma das mais belas músicas que já ouvi. A letra em inglês pode ser encontrada aqui.

Ela me Leva

(Jennifer Berezan)
Versão
Chronos Phaenon Eosphoros
e Mavesper Cy Ceridwen

Ela é um barco
É uma luz
Alta no monte
Na noite escura

Ela é a onda
É o abismo
É o escuro
Onde adormeço

Quando me acalmo
e a paz se faz
Ela me leva
Ao outro lado.

Ela me leva
Ela me leva
Ela me leva
Ao outro lado. (2x)

E embora eu ande
em vales fundos
E sombras cubram
o meu sonhar

Nas rochas cruas
estou sozinh@
não tenho nome
não tenho lar

Com rotas asas
quero voar
Ela me leva
Ao outro lado.

Ela me leva
Ela me leva
Ela me leva
Ao outro lado. (2x)

Dez mil braços
e dez mil olhos
dez mil ouvidos
ouvem meu chorar

Ela é o caminho
Ela é o portal
Que me transporta
e traz de volta

Quando da aurora
A noite é morta
Ela me leva
Ao outro lado.

Ela me leva
Ela me leva
Ela me leva
Ao outro lado. (2x)

Ela é a primeira
Ela é a última
É o futuro
E o passado

É Mãe de tudo
Da terra e céus
Ela me leva
Ao outro lado.

Ela me leva
Ela me leva
Ela me leva
Ao outro lado. (2x)

Morganas e Madres Teresas

Nossa Senhora do PantanalUMA VISÃO PAGÃ DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Quero parabenizar a todos pelo Dia Internacional da Mulher. E incluo nos parabéns todos mesmo: homens e mulheres, de todas as idades, origens e lugares.

Meu especial parabéns é dado aos que reconhecem a importância deste dia e suas implicações em nossa sociedade. Creio que todos devem refletir sobre a importância desta data e a colocarem como um marco de uma transformação de suas vidas: passar a ter AÇÃO SOCIAL.

Quando temos essas datas comemorativas como dia de hoje, é muito comum as pessoas dizerem que elas não importam, que “se só um dia por ano é da mulher, onde ela está nos outros?” etc. Apesar dos chavões conhecidos, que se dizem do dia das mães, pais, namorados etc, há que se reconhecer que o Dia Internacional da Mulher é um dia diferente, porque não tem conotações comerciais.

O que releva notar sobre este Dia é que foi criado por motivações político-sociais, e essas sim são relevantes, para nós bruxas e bruxos especialmente.

E por que?

O dia 8 de março foi escolhido como Dia Internacional da Mulher porque nele foram imoladas mulheres trabalhadoras no incêndio em uma fábrica, quando protestavam por melhores condições de trabalho. Essas mulheres, consumidas nas mesmas fogueiras que nossas irmãs mortas na Inquisição, têm uma lição a lembrar: a sociedade ocidental, patriarcal e retilínea ainda teme e odeia as mulheres e, como sempre, destrói o que teme.

No dia de hoje muitas mulheres e homens, que são sensíveis às questões políticas centradas no gênero, estarão comemorando, planejando protestos e formas de pressão, para que a discriminação da mulher na sociedade diminua e, um dia, no futuro, haja real igualdade.

Na Câmara dos Deputados, onde trabalho, a bancada feminina publicou, anos atrás, um folheto comemorativo que creio ser bem representativo de coisas muito importantes para nosso Brasil. O título do folheto é “Igualdade não basta, e sim direitos a mais”. Nele estão listadas todas as ações legislativas – as leis e os projetos – do que se chama DISCRIMINAÇÂO POSITIVA, hoje, graças à Deusa, consideradas indispensáveis nas sociedades civilizadas para que haja real equilíbrio. Não basta garantir às mulheres direitos iguais aos homens, há que se reconhecer a necessidade de direitos especiais, todos os ligados à maternidade, amamentação, proteção do trabalho e da participação política. Projetos como esse não são, como vivem gritando os machistas enrustidos, uma “discriminação às avessas”, nem um “desequilíbrio”. Afinal, beneficiar mulheres mães, que amamentam, e arrimos de família beneficia seus filhos, que são de ambos os gêneros…

O que se deve observar é que os movimentos feministas, as ONGs preocupadas com o gênero e as pessoas esclarecidas só se beneficiariam com o conhecimento da espiritualidade do feminino.

É esse nosso papel: acender na consciência social a luz do reconhecimento do divino feminino. Se a sociedade brasileira dá às mulheres seus direitos especiais, quanto mais não faria se todos fossem tocados pela experiência da Deusa! Quando falo “tocados pela Deusa”, não me refiro a uma utopia  até indesejável em que todos se tornassem pagãos… Não é isso o que importa, mas sim que a Deusa seja recebida, seja qual for a forma pela qual se apresente.

Recentemente viajei para Mato Grosso do Sul e vi cidades predominantemente católicas, vi gente vivendo de um jeito que eu até já esqueci como era…Gente que pauta sua vida por uma submissão abjeta da mulher, fruto do ranço patriarcal como valor maior da sociedade. Vi uma jovem de 18 anos ser maltratada pela família por ter voltado de uma festa com o namorado depois da meia noite… Vi essa mesma jovem ser calada a tapa quando quis questionar o pai, senhor supremo da vida dela… Como isso me pareceu inacreditável no século XXI, mas como ainda é predominante em muito lugares deste Brasil! As mulheres não podiam falar à mesa, só os homens. Imaginem só eu hóspde num lugar assim!hueuehuehueh A Deusa me levou para o meio desses cristãos e me mostrou o que é mesmo viver como escravo, do medo, do preconceito, como são as mulheres que nem sequer desconfiam de seu poder e que tipo de homem as quer junto de si. Não tive raiva deles, tive pena… Um dó profundo de ver quem se apega à escravidão do pecado, do medo do fogo do inferno, quem se apega à submissão das mulheres como forma de controle social…E lá, no meio de tudo isso, cujas mazelas são bem mais visíveis que em uma sociedade heterogênea como a das grandes cidades, encontrei algo que me fez pensar muito…

Comprei de um artesão local uma imagem maravilhosa. É de uma mulher jovem nua, cujo corpo é de terra. Ela está envolta em um manto, e no manto, também com a textura e a cor da terra, foram pintadas vitórias-régias e suas flores. A coroa sobre a cabeça da imagem também é de flores de vitória régia. E o artista a chamou “Nossa Senhora do Pantanal”. Nunca vi uma Nossa Senhora tão linda e tão sexy!

A Deusa se mostrou a esse artista do povo, e se mostrou vestida da natureza local… Tenho certeza que esse homem é cristão, mas a Deusa fala com ele como fala com qualquer de nós… Ela surge na consciência da sociedade, mesmo que os que a percebem não saibam bem o que estão vendo. E eu, que já estava angustiada de ver tanta opressão e escravidão, percebi que Ela vai se revelar, seja aos poucos, seja travestida de Maria, seja como for… e quando isso ocorrer a vida de todos melhorará, sejam eles cristãos ou pagãos.

E no dia que essa consciência social do divino feminino se acender, nós vamos celebrar o Dia Internacional da Mulher em nossas fogueiras rituais, garantindo a elas, homens e mulheres wiccanianos de mãos dadas com todos os outros, de todas as outras religiões de paz, que tiverem ouvido Seu doce chamado, que nunca mais voltarão os tempos das outras fogueiras…

Feliz Dia internacional da Mulher e que a Senhora do Pantanal nos abençoe!

Like a Prayer

(MADONNA)

Life is a mystery, everyone must stand alone
I hear you call my name
And it feels like home

When you call my name it’s like a little prayer
I’m down on my knees, I wanna take you there
In the midnight hour I can feel your power
Just like a prayer you know I’ll take you there

I hear your voice, it’s like an angel sighing
I have no choice, I hear your voice
Feels like flying
I close my eyes, oh God I think I’m falling
Out of the sky, I close my eyes
Heaven help me

When you call my name it’s like a little prayer
I’m down on my knees, I wanna take you there
In the midnight hour I can feel your power
Just like a prayer you know I’ll take you there

Like a child you whisper softly to me
You’re in control just like a child
Now I’m dancing
It’s like a dream, no end and no beginning
You’re here with me, it’s like a dream
Let the choir sing

When you call my name it’s like a little prayer
I’m down on my knees, I wanna take you there
In the midnight hour I can feel your power
Just like a prayer you know I’ll take you there

Just like a prayer, your voice can take me there
Just like a muse to me, you are a mystery
Just like a dream, you are not what you seem
Just like a prayer, no choice your voice can take me there

Just like a prayer, I’ll take you there
It’s like a dream to me

Seek & Destroy

(Metallica)

We are scanning the scene
in the city tonight
We are looking for you
to start up a fight
There is an evil feeling
in our brains
But it is nothing new
you know it drives us insane

Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy

There is no escape
and that is for sure
This is the end we won’t take any more
Say goodbye
to the world you live in
You have always been taking
but now you’re giving

Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy

Our brains are on fire
with the feeling to kill
And it will not go away
until our dreams are fulfilled
There is only one thing
on our minds
Don’t try running away
`cause you’re the one we will find

Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Running,
On our way
Hiding,
You will pay
Dying,
One thousand deaths
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy
Searching,
Seek and Destroy

Amar a Deusa entre todas as coisas

A língua portuguesa, como a maioria das línguas ocidentais, utiliza a palavra “amor” para descrever uma quantidade variada e imprecisa de sentimentos. Isso gera uma confusão muito grande quando usamos essa palavra para descrever nossos sentimentos.

Se olharmos a língua grega, por exemplo, veremos pelo menos três palavras – Agape, Filos e Eros – para descrever o mesmo sentimento que nós descrevemos como amor.

Agape seria o amor universal, o amor que um@ brux@ sente ao puxar a lua, o amor que sentimos ao abraçar uma árvore, etc. Esse amor é ao mesmo tempo fácil de se sentir e difícil de se compreender. É também muito difícil, embora não de todo impossível, você ter esse tipo de amor o tempo todo por uma pessoa.

Filos seria o amor de afinidade. É aquele amor que a maioria de nós sente pelos pais, filhos e irmãos, pelos amigos mais chegados. É o amor que sentimos pelo trabalho que fazemos. Embora não tão raro quanto Agape, Filos é também bastante difícil de se sentir o tempo todo, pelo menos em grande intensidade, por um companheiro.

Eros é o amor apaixonado (pode-se chamar de paixão em português). É aquele amor que nos faz sentir o coração bater mais rápido, aquele frio no estômago, aquela vontade louca de possuir o alvo desse amor. É o tipo mais comum em relações entre amantes.

Um relacionamento amoroso precisa, no meu ver, para ser duradouro, que os dois parceiros consigam evoluir de Eros para Filos e se manter nesse patamar. Uma vez lá, o casal precisa oscilar para momentos, mais ou menos longos, mais ou menos intensos, de Eros ou de Agape. Quem já não teve aqueles momentos sublimes, quando você olha para seu parceiro
e pensa “podíamos morrer agora que estava tudo bem…”?

Lembro que uso o termo “evoluir” não para implicar que Filos seja melhor que Eros, mas no sentido de que um deriva para o outro.

Um grande problema é que Eros, como no Mito de Eros e Psiche, é quase sempre associado ao medo da perda. E no mais das vezes esse medo nos leva ao egoísmo e ao ciúme, que acarreta o inferno de dor e angústia que muitas pessoas associam ao amor. Não é o amor que dói, é o orgulho ferido, a sensação de perda, a sensação igual à de uma criança pequena que perdeu o pirulito…

Voltando ao mito de Eros, a maior causa de perda da pessoa amada é quando passamos a conhecê-la melhor. Aí bate aquele medo de perdermos aquela pessoa maravilhosa, que só existe dentro da nossa cabeça, e passarmos a ter que amar uma pessoa normal, cheia de defeitos. É quando Psiche acende a lâmpada e olha para Eros.

Esse comportamento fez, a meu ver, que nós ocidentais “demonizássemos” Eros, por ser sua própria existência a fonte de toda a dor associada ao amor. É a possibilidade de que a paixão (Eros) do parceiro por outrem se transforme em Filos que traz aos relacionamentos amorosos a dor do ciúmes, pelo medo da perda.

Por outro lado, como estratégia de defesa contra essa possibilidade de perda, Eros acabou revisto e idealizado na “coisificação” sexual. Assim, a expressão exacerbada da paixão é tida, com o reforço da expressão artística de massas, como a melhor forma de expressão
amorosa. Casamento sem paixão, nesse padrão, não é um bom casamento. Se eu der mais Eros ao meu parceiro do que ele necessita, ele não vai precisar buscar isso fora. E assim eu não o perco.

Essa é uma armadilha que cria relacionamentos incompletos, infelizes, por que o ser humano tem necessidade de sentir e expressar também as outras formas de amor. Penso ser desnecessário apontar como essa forma incompleta de amor é incompatível com o exercício pleno de um Sacerdócio Wiccaniano.

Outra forma de fugir das dores de Eros, é buscar uma vida só de Agape, que é o estado que muitas ordens monásticas de várias denominações tentam fazer com que seus iniciados atinjam.

O problema aí é que, se o único amor que você conhece é Agape, você é incapaz de amar um ser humano como indivíduo, mas apenas como espécie. Um ser humano normal não é capaz de levar uma vida toda calcada em Agape.

Esse conceito – a vida inteira em Agape – é próximo ao que os budistas chamam de Bodhisattva. Bodhisattvas seriam pessoas com altíssimo grau de “iluminação”, no sentido budista da palavra, que a um passo de atingir o Nirvana se recusam a abandonar o ciclo mundano para se dedicar a socorrer outros seres humanos menos iluminados. Kuan Yin é
um exemplo desse tipo de figura.

Se recusar a sentir Eros e Filos equivale a cortar de você centros emocionais importantes. Mais ainda, significa deixar de agir no mundo como indivíduo e passar a um contato perpétuo com um “divino” ou “mundo superior” abstrato e imaterial.

No meu entendimento, esse tipo de “meta” é também absolutamente incompatível com a prática da bruxaria, ou mesmo de outras formas pagãs, uma vez que parte do pressuposto que o amor material, seja por pessoas, seja por coisas, é impuro e precisa ser expurgado do indivíduo para que este atinja a “luz”.

A bruxaria e o paganismo em geral pregam que tudo que é material é sagrado, por o ser parte do corpo da Deusa. Deusa essa que, justamente por permear de forma imanente tudo o que é material, não pode ser tomada como uma entidade abstrata e imaterial, a ser contatada apenas em momentos de êxtase sublime.

Afirmo ainda que acredito ser impossível amar à Deusa sem amar outros seres humanos e sem amar . Afinal, se sou incapaz de amar plenamente um ser humano, obra da Deusa, como posso amá-La?

Vivendo o Deus Cornífero na Religião da Deusa

Filho, Amante & Sábio

Pode parecer contraditório existirem Sacerdotes, homens, numa religião que é radicalmente feminina e matrifocal, como a Wicca, principalmente quando falamos da Wicca Diânica.

A Deusa existiu desde o início, sendo incriada ou autocriada. O Deus veio da Deusa. É seu Filho, criado para ser seu Amante e Sábio conselheiro. Por outro lado, os Sacerdotes, bruxos Wiccanianos, são canais para a expressão desse Deus. Assim, é nossa função viver essas faces, Filho, Amante e Sábio, perante nossas Sacerdotisas.

Somos seus Filhos quando nos colocamos sob sua liderança, com Amor, Confiança e Respeito. Seguimos felizes as orientações das Matriarcas, cientes de que sua voz é a voz da Deusa, e que Ela nos transmite, através delas, seu Amor, sua Lei, sua Sabedoria, sua Liberdade e seu Conhecimento.

Ser Filho da Deusa é ser amado por Ela, se sentir acolhido e acalentado. Ser Filho da Deusa é retribuir a ela esse amor na forma de serviço incondicional. Ser Filho da Deusa é tratar suas Sacerdotisas como Mães, como de fato são. Ser Filho da Deusa é perdoar em suas Sacerdotisas suas atitudes que nos pareçam erradas, confiantes de que a falha está em nossa percepção, não na ação da Deusa através delas.

Ser Filho da Deusa é ser o Eterno Buscador. É caminhar pelo mundo, aberto às experiências que a Deusa nos queira dar. É aceitar cada passo como parte do Caminho, sabendo que o caminhar não é meio, mas fim. É receber da Deusa seu amor, suas dádivas, seus sinais.

Somos seus Amantes quando nos colocamos ao seu lado, com Amor, Confiança e Respeito. Compartilhamos felizes seu Sacerdócio, emprestando- lhes a sustentação de nossas pernas, a força de nossos braços e o poder de nossa voz. Nos damos a ela através da Sexualidade Sagrada, de nosso Orgulho, de nosso próprio Ser, de nosso Poder e Paixão.

Ser Amante da Deusa é retribuir seu amor, de forma plena e irrestrita. Ser Amante da Deusa é tratar suas Sacerdotisas como Mulheres, plenas em sua beleza. Ser Amante da Deusa é apoiar suas Sacerdotisas em todas as suas ações, sem julgamento de mérito.

Ser Amante da Deusa é ser o Sagrado Governante. É moldar o mundo e se moldar a ele, que é o Corpo da Deusa, se libertando dos grilhões pessoais enquanto vivemos a Sagrada União. É exercer no mundo o julgamento, transformando em obra sagrada tudo aquilo em que tocamos.

Somos Sábios quando somos o Espelho no qual a Deusa se mira para se compreender. Expressamos no mundo características da Deusa, em modos e formas quempreensíveis para seu discernimento. Somos Sábios quando espelhamos no mundo suas Ambições, sua Soberania, seu Amor-Próprio, sua Força e sua Determinação.

Ser Sábio com a Deusa é amar suas Sacerdotisas, com carinho e compreensão. Ser Sábio com a Deusa é tratar suas Sacerdotisas como nossas Iguais, origem do que de fato somos. Ser Sábio com a Deusa é apontar a suas Sacerdotisas os obstáculos e facilidades do Caminho, para que elas possam tomar conscientes suas decisões.

Ser Sábio com a Deusa é ser o Senhor do Submundo. É morrer todas as pequenas mortes, é caminhar na Sombra, é guiar a Deusa pela mão em Sua descida. Mas é também renascer, voltar ao mundo na Criança da Promessa.Ser Filho, ser Amante e ser Sábio são funções do Sacerdócio. Não há nada de fácil em exercê-las. Há dores, há tristezas e desilusões nesse caminho. Mas também há prazer, felicidade e iluminação. Buscar, se libertar, moldar, morrer e renascer a cada roda, a cada dia, a cada respiração. Esse é o caminho do Deus, é o Caminho que trilhamos, Sacerdotes da Deusa.