Morganas e Madres Teresas

Nossa Senhora do PantanalUMA VISÃO PAGÃ DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Quero parabenizar a todos pelo Dia Internacional da Mulher. E incluo nos parabéns todos mesmo: homens e mulheres, de todas as idades, origens e lugares.

Meu especial parabéns é dado aos que reconhecem a importância deste dia e suas implicações em nossa sociedade. Creio que todos devem refletir sobre a importância desta data e a colocarem como um marco de uma transformação de suas vidas: passar a ter AÇÃO SOCIAL.

Quando temos essas datas comemorativas como dia de hoje, é muito comum as pessoas dizerem que elas não importam, que “se só um dia por ano é da mulher, onde ela está nos outros?” etc. Apesar dos chavões conhecidos, que se dizem do dia das mães, pais, namorados etc, há que se reconhecer que o Dia Internacional da Mulher é um dia diferente, porque não tem conotações comerciais.

O que releva notar sobre este Dia é que foi criado por motivações político-sociais, e essas sim são relevantes, para nós bruxas e bruxos especialmente.

E por que?

O dia 8 de março foi escolhido como Dia Internacional da Mulher porque nele foram imoladas mulheres trabalhadoras no incêndio em uma fábrica, quando protestavam por melhores condições de trabalho. Essas mulheres, consumidas nas mesmas fogueiras que nossas irmãs mortas na Inquisição, têm uma lição a lembrar: a sociedade ocidental, patriarcal e retilínea ainda teme e odeia as mulheres e, como sempre, destrói o que teme.

No dia de hoje muitas mulheres e homens, que são sensíveis às questões políticas centradas no gênero, estarão comemorando, planejando protestos e formas de pressão, para que a discriminação da mulher na sociedade diminua e, um dia, no futuro, haja real igualdade.

Na Câmara dos Deputados, onde trabalho, a bancada feminina publicou, anos atrás, um folheto comemorativo que creio ser bem representativo de coisas muito importantes para nosso Brasil. O título do folheto é “Igualdade não basta, e sim direitos a mais”. Nele estão listadas todas as ações legislativas – as leis e os projetos – do que se chama DISCRIMINAÇÂO POSITIVA, hoje, graças à Deusa, consideradas indispensáveis nas sociedades civilizadas para que haja real equilíbrio. Não basta garantir às mulheres direitos iguais aos homens, há que se reconhecer a necessidade de direitos especiais, todos os ligados à maternidade, amamentação, proteção do trabalho e da participação política. Projetos como esse não são, como vivem gritando os machistas enrustidos, uma “discriminação às avessas”, nem um “desequilíbrio”. Afinal, beneficiar mulheres mães, que amamentam, e arrimos de família beneficia seus filhos, que são de ambos os gêneros…

O que se deve observar é que os movimentos feministas, as ONGs preocupadas com o gênero e as pessoas esclarecidas só se beneficiariam com o conhecimento da espiritualidade do feminino.

É esse nosso papel: acender na consciência social a luz do reconhecimento do divino feminino. Se a sociedade brasileira dá às mulheres seus direitos especiais, quanto mais não faria se todos fossem tocados pela experiência da Deusa! Quando falo “tocados pela Deusa”, não me refiro a uma utopia  até indesejável em que todos se tornassem pagãos… Não é isso o que importa, mas sim que a Deusa seja recebida, seja qual for a forma pela qual se apresente.

Recentemente viajei para Mato Grosso do Sul e vi cidades predominantemente católicas, vi gente vivendo de um jeito que eu até já esqueci como era…Gente que pauta sua vida por uma submissão abjeta da mulher, fruto do ranço patriarcal como valor maior da sociedade. Vi uma jovem de 18 anos ser maltratada pela família por ter voltado de uma festa com o namorado depois da meia noite… Vi essa mesma jovem ser calada a tapa quando quis questionar o pai, senhor supremo da vida dela… Como isso me pareceu inacreditável no século XXI, mas como ainda é predominante em muito lugares deste Brasil! As mulheres não podiam falar à mesa, só os homens. Imaginem só eu hóspde num lugar assim!hueuehuehueh A Deusa me levou para o meio desses cristãos e me mostrou o que é mesmo viver como escravo, do medo, do preconceito, como são as mulheres que nem sequer desconfiam de seu poder e que tipo de homem as quer junto de si. Não tive raiva deles, tive pena… Um dó profundo de ver quem se apega à escravidão do pecado, do medo do fogo do inferno, quem se apega à submissão das mulheres como forma de controle social…E lá, no meio de tudo isso, cujas mazelas são bem mais visíveis que em uma sociedade heterogênea como a das grandes cidades, encontrei algo que me fez pensar muito…

Comprei de um artesão local uma imagem maravilhosa. É de uma mulher jovem nua, cujo corpo é de terra. Ela está envolta em um manto, e no manto, também com a textura e a cor da terra, foram pintadas vitórias-régias e suas flores. A coroa sobre a cabeça da imagem também é de flores de vitória régia. E o artista a chamou “Nossa Senhora do Pantanal”. Nunca vi uma Nossa Senhora tão linda e tão sexy!

A Deusa se mostrou a esse artista do povo, e se mostrou vestida da natureza local… Tenho certeza que esse homem é cristão, mas a Deusa fala com ele como fala com qualquer de nós… Ela surge na consciência da sociedade, mesmo que os que a percebem não saibam bem o que estão vendo. E eu, que já estava angustiada de ver tanta opressão e escravidão, percebi que Ela vai se revelar, seja aos poucos, seja travestida de Maria, seja como for… e quando isso ocorrer a vida de todos melhorará, sejam eles cristãos ou pagãos.

E no dia que essa consciência social do divino feminino se acender, nós vamos celebrar o Dia Internacional da Mulher em nossas fogueiras rituais, garantindo a elas, homens e mulheres wiccanianos de mãos dadas com todos os outros, de todas as outras religiões de paz, que tiverem ouvido Seu doce chamado, que nunca mais voltarão os tempos das outras fogueiras…

Feliz Dia internacional da Mulher e que a Senhora do Pantanal nos abençoe!

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Um pensamento sobre “Morganas e Madres Teresas

  1. Acredito (exatamente esse verbo) que a discriminação positiva seja uma espécie de reparação que nos é devida (a nós pessoas que nascemos anatomicamente femininas) por milênios de androcentrismo, e é uma espécie de reparação que não pode ser contabilizada, quantificada, tem a ver com valor, com qualidade. Creio que vai além do movimento social e faz parte de um movimento de pêndulo de tudo que se manifesta exageradamente; no domínio máximo do masculino, o pêndulo tende a voltar, como está começando a acontecer agora, sem nenhuma conotação moral, apenas o necessário balanceamento de energias.

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