A QUESTÃO DA CONVIVÊNCIA COM NÃO PAGÃOS E OS EVENTOS SOCIAIS

A QUESTÃO DA CONVIVÊNCIA COM NÃO PAGÃOS E OS EVENTOS SOCIAIS

A maioria de nós não vive em famílias completamente pagãs e temos que
aprender a harmonizar essa questão. Precisamos criar mecanismos de
convivência onde todos sejam respeitados e ninguém seja obrigado a
fazer o que não crê. Por exemplo, comemore seu Yule ou Litha junto
com a festa de natal de sua família, use nossos costumes para
partilhar sua celebração com seus familiares. Quando eles perceberem
que as celebrações são celebrações da vida em si, nada mais terão
contra a Roda do Ano, tenho certeza. Tenho visto muitos cristãos
alegremente dançarem em volta do mastro de Beltane, já tive um
sacerdote evangélico em minha celebração de Imbolc no Coven e ele fez
todas as devoções a Brighid, até fez seus pedidos à Donzela do milho,
como um bom pagão. Participar e celebrar são atividades que, desde
que expliquemos ás pessoas que não farão nenhum compromisso com nossa
religião, são ocasiões de aproximação de diferenças, não de conflitos.

E nas outras atividades importantes da vida social?

Por exemplo, uma wiccaniana casará com um católico. O que eles farão?
Um handfasting ou uma cerimônia cristã? Os dois? Nenhum deles?

Creio que a resposta variará muito em todos os casos, porém, creio
que se ambos são absolutamente convictos da necessidade das bênçãos
de sua religião, podem muito bem fazer ambas as cerimônias, desde que
a sacerdotisa ou sacerdote wiccanianos oficiantes do handfasting e o
sacerdote cristão SAIBAM que a união envolve pessoas de diferentes
crenças. Por favor, não há sentido algum em um wicanian@ iniciad@
abjurar ( dizer que abdica) de suas crenças mais sagradas para poder
se fingir de cristã e realizar um casamento…

Se não houver harmonia nessa realização das cerimônias, então talvez
seja melhor que não se faça nenhum dos ritos, realizando apenas a
cerimônia civil. E também é hora de pensar: casamento significa –
mesmo que as pessoas tenham a mesma religião- concessões mútuas e
acordos. É essa mesma a união que vc deseja? É preciso pensar com
cuidado e sem preconceitos, sabendo que se vc quiser respeito á sua
escolha pagã também terá que fazer concessões á religião do parceiro.

A mesma coisa deve ser decidida em casos de bebês: será um batizado
cristão ou uma unção de recém nascido ou wiccaning?

Aí a questão se torna mais delicada: o batismo católico coloca a
criança dentro da religião católica ( embora algumas bênçãos de
igrejas protestantes não o façam). Será que a mãe Sacerdotis@ da
Deusa deixará isso acontecer? Mais uma vez o casal é que poderá
resolver a questão. Talvez seja melhor que a criança não receba nem
uma cerimônia, nem a outra. Talvez seja melhor que receba as duas,
embora a cristã equivalha a uma rejeição expressa às bençãos
pagãs…Pessoalmente, mesmo casada com um católico, jamais aceitaria
que minhas crianças fossem batizadas, mas isso já seria resolvido
antes do casamento, senão nem casamento teria havido… Bem, em todo
o caso, meu conselho é COMBINEM MUITO BEM COMO SERÁ CONVIVENCIA
NESSES CASOS DE CASAMENTO E FILHOS.

Outra coisa: se você for convidado para madrinha ou padrinho de
batizado, a lógica recomenda que NÂO ACEITE, em se tratando do
batizado católico. Só alguém que é membro da Igreja católica pode
validamente, e de acordo com seus ensinamentos, ser padrinho ou
madrinha. Agradeça o convite, e assuma que AGORA VC TEM UMA RELIGIÃO
DIFERENTE. Seja coerente com sua escolha religiosa, mesmo que isso
implique em você não ser “comadre” daquela irmã ou amiga de que gosta
tanto. Há mil maneiras de você ser próxima à criança, não renegue sua
religião wiccaniana por um instante de glória social ou pretenso
estreitamento de laços de amizade como “madrinha“.

A convivência com outros parentes cristãos ou adeptos de outras
religiões patrifocais, como pais, sogras, irmãos, tios e tias pode
ser muito difícil. Recomendo sempre a mesma postura: compreensão
calma e tranqüilidade, embora, jamais recomende a covardia. FIRMEZA
EDUCADA é a melhor postura, “Não sogra, não terei meu filho batizado
por um padre”, “Não amiga, agradeço muito o convite, mas não posso
ser madrinha e seu bebe”; “Desculpem, não rezarei o pai nosso, mas me
mantenho de mãos dadas com vcs em sinal de respeito, embora essa
oração nada signifique para mim e eu recorra a meus Deuses pelas
mesmas bençãos que vcs almejam”.

Se por motivos sociais você precisar comparecer a uma missa de
formatura , a um culto evangélico, a um culto umbandista ou do
candomblé, a uma sessão kardecista, um culto messiânico ou uma
cerimônia Rosacruz, por exemplo, aja da mesma maneira : silencio
respeitoso e não participante. Foi o que eu fiz recentemente, por
exemplo, quando um padre católico veio a minha casa dar a bençãos dos
enfermos a minha mãe católica, em seus últimos dias. Eu e minha
menina acompanhamos tudo, e embora eu soubesse de cor as orações
tantas vezes repetidas na minha infância, não via mais nelas senão o
poder próprio do atendimento a minha mãe, que nelas acreditava.
Fiquei perto, em muda contemplação não-participativa.

Se você agir assim o tempo e sua FIRMEZA EDUCADA trarão a você
RESPEITO. Respeito que você nunca alcançará se estiver acostumada à
mentira e à dissimulação.


Mavesper Cy Ceridwen

WICCA E O PÓS MORTE

Por Mavesper Cy Ceridwen

Muitos novatos perguntam sobre a pós-vida para wiccanianos. Geralmente, as respostas se centram no fato de que todos nós acreditarmos em eterno retorno, ou reencarnação. Isso é referido por wiccanianos de uma forma metafórica, mito-poética, expressa geralmente nas seguintes afirmações:
“Wiccanianos acreditam que quem morre volta para o Grande Caldeirão da Deusa, de onde renascerá eternamente”.
OU

“Wiccanianos acreditam em Summerland, a Terra Onde Sempre é Verão, onde ficam um tempo para de lá depois retornarem”.
De que forma isso ocorre, qual o mecanismo, não é uma preocupação da Wicca, E, pois, fica na esfera de crença individual de cada praticante a decisão sobre suas convicções pessoais nesse sentido.
Pode haver – e provavelmente há- uma diversidade tão grande de respostas quanto são diversos os praticantes de Wicca. E isso para nós é perfeitamente normal. Não conheço – posso até estar enganada nisso, uma vez que ninguém conhece todas as Tradições – mas não tenho notícia de nenhuma Tradição de Wicca que dite a seus adeptos de que maneira eles devem crer no pós-morte, mas tão somente que creiam em retorno ou reencarnação.
Estou utilizando as expressões “eterno retorno” ou “reencarnação” até aqui, porque há algumas pessoas que se apegam a discutir diferenças entre esses conceitos, que, segundo creio, para bruxos nem faz muito sentido. Mas é preciso que passemos por uma pincelada em ambos, e mais algumas coisas, para vocês terem uma idéia da imensa flexibilidade que nossa religião comporta nesse aspecto. Prossigamos.
UMA PALAVRA AOS NOVATOS:
Para os novatos, explico uma coisa muito importante para compreender o que direi a seguir: LEMBREM-SE QUE WICCA É PAGANISMO, e que é incompatível com a Wicca uma idéia de Universo antropocentrado (que é uma idéia central das religiões retilíneas, patriarcais).
Ou seja: Tudo o que existe constitui o Corpo da Deusa. E Ela não distingue entre suas células, como uma Mãe não distingue entre seus filhos. O que é mais importante em seu corpo: uma célula do fígado ou uma do joelho direito? Elas podem ter funções diferentes, mas cada uma, por si só, é única é importante naquilo que faz. Assim é a espécie humana: para a Deusa tão importante quanto qualquer ameba ou qualquer sistema solar… PARA SER PAGÃO É PRECISO PERDER A VISÃO DE SUPREMA IMPORTÂNCIA DO HUMANO NA CRIAÇÃO.
O antropocentrismo religioso é calcado numa visão Patricentrada de Universo. Foi o Deus Pai Todo Poderoso das religiões dominantes que criou o homem à sua imagem e sujeitou a ele todas as outras criaturas. Para um@ brux@ essa crença nada mais é que PRESUNÇÃO E VAIDADE DA ESPÉCIE HUMANA.
Aos novatos um segundo lembrete: QUANDO ESTIVERMOS FALANDO DE WICCA, LEMBREM-SE QUE NÃO É PONTO CENTRAL DE NOSSA RELIGIÃO SE PREOCUPAR COM O PÓS-VIDA. Não nos preocupamos com outra vida, de perfeição e proximidade da Divindade (como buscam os cristãos, por exemplo) porque A VIDA QUE TEMOS HOJE JÁ É PERFEITA EM POTENCIAL (os desequilíbrios e insatisfações são pontos de vista individuais) E COMO JÁ SOMOS OS DEUSES É IMPOSSÍVEL IR PARA MAIS PERTO DELES… Notem: vocês já são a Deusa, não precisam “melhorar” nada para ser o que já são por direito de nascimento e essência.
Creio que é MUITO IMPORTANTE que os novatos percebam que se tornar brux@, tornar-se pagão implica, necessariamente, MUDANÇA DE PARADIGMAS, mudanças no modo de encarar a realidade e como ela funciona. Nesta mudança de paradigmas é preciso DEIXAR DE VER A REENCARNAÇÃO OU EETERNO RETORNO COMO UM SISTEMA DE RECOMPENSAS E CASTIGOS, como é a base de religiões como o Kardecismo. Pode nem parecer, mas a mentalidade ultra-reencarnacionista de Kardecistas influencia quase que como um todo o imaginário religioso do povo brasileiro.
Essa crença Kardecista, de que Reencarnação é um sistema de expiação (os kardecistas costumam dizer que a Terra é um planeta “espiritualmente atrasado”, um planeta de expiação de “karma pesado”, que o corpo material é “descartável”, só importando a alma etc etc) PRECISA SER ABANDONADA POR QUEM DESEJA SER REALMENTE PAGÃO. Como para um pagão o corpo material tem exatamente a mesma importância que a alma (e já adianto que uso alma e espírito como sinônimos neste texto, pois as distinções que outros sistemas de crença fazem é completamente desimportante no paganismo), essas noções de que a matéria é “menos” são completamente estranhas à wicca.
ESSA NÃO É MAIS A MITOLOGIA QUE ORIENTA NOSSAS VIDAS. Nas mitologias que cremos, a Deusa (ou a Deusa e seu Consorte) criaram o universo em perfeita conexão e equilíbrio: Ela cantando a Canção de Tudo que existe, Ele dançando a Dança Espiral do Êxtase.

PRIMEIRA GRANDE POLÊMICA: REENCARNAÇÃO OU ETERNO RETORNO?
Antes de passarmos a tentar descrever as crenças mais comuns entre wiccanianos sobre esse assunto, é preciso perceber que há diferenças entre os termos: reencarnação, eterno retorno e alguns outros correlatos.
Definindo com algum rigor, REENCARNAÇÃO é termo usado para denominar o fenômeno que consiste em um ser humano morrer, sua alma subsistir em algum plano de existência e depois retornar como ser humano novamente.
Um outro termo a definir seria METEMPSICOSE, fenômeno pelo qual um ser humano, após a morte, poderia voltar a viver como outro ser, como uma planta ou um animal não humano.Segundo o dicionário Houaiss, Metempsicose é:
1)movimento cíclico por meio do qual um mesmo espírito, após a morte do antigo corpo em que habitava, retorna à existência material, animando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos;
2) doutrina que professa esta crença, difundida pelo misticismo especulativo do orfismo e pitagorismo, e adotada por correntes filosóficas como o empedoclismo, platonismo e neoplatonismo [Concepções semelhantes encontram-se em religiões orientais como o budismo ou o hinduísmo]
Etimologia
gr. metempsúkhósis,eós ‘passagem da alma de um corpo para um outro’, de metá ‘mudança’ + v.gr. empsukhóó ‘animar’, este de émpsukhos,os,on ‘que tem o sopro em si, animado’, e de en ‘em, dentro’ + psukhê,ês ‘sopro’, pelo lat.tar. metempsychósis,is ‘id.’; AGC vê interveniência do fr. métempsycose ‘doutrina segundo a qual uma mesma alma pode animar sucessivamente vários corpos’; ver met(a)- e psic(o)-; f.hist. metempsycose, metempsycosis
MAS, note-se que a metempsicose implica – no mais das vezes – a crença em que a sucessão de vidas como pedra, planta, animal irracional e humano era um sistema linear, e recompensatório. Por exemplo, no budismo ou no hinduismo, acredita-se na superioridade humana, então, antes de conseguir o prêmio de ser um humano, a alma passaria por estágios como pedra, planta e animal. No hinduismo esse é um dos motivos pelo qual a vaca é sagrada, já que ela seria o último estágio de animal irracional em que uma alma encarnaria imediatamente antes de encarnar-se humana. Esse sistema religioso também acredita que um humano, de acordo com seus atos, pode involuir e tornar-se novamente animal ou planta devido seu comportamento. Nestes sistemas, já há a visão não-pagã de eu ser humano e MAIS do que ser animal ou planta, que é MENOS. É essa gradação que coloca o humano acima das demais criaturas que impede seja a metempsicose “retilinea”, chamemo-la assim, de ser compatível com o neo-paganismo.
NOTEM que, porém, de certa forma, reencarnação e metempsicose podem ser crenças coexistentes no paganismo moderno, desde que se retire da metempsicose a idéia de que há uma gradação de importância, que coloque o ser humano como topo de uma escala evolutiva. Chamemos a esta metempsicose “não retilínea”.
CRER QUE O SER HUMANO ESTÁ NO TOPO DE UMA ESCALA EVOLUTIVA, como já dissemos, É UMA CRENÇA ANTI-PAGÃ, afinal, SE NÃO TEMOS UM SISTEMA DE CRENÇA ANTROPOCÊNTRICO é impossível, é totalmente incoerente acreditar nessa escala evolutiva.
Em quais dessas coisas acredita um Wiccaniano?
Creio que a melhor resposta seria: EM QUALQUER DELAS. E por que?
Ora, sabemos que somente precisamos acreditar que o Universo, o Corpo da Deusa, é cíclico, que nada nele se perde, nem desaparece, apenas muda eternamente, na dança entre matéria e energia, na interação entre a Deusa e o Deus de Chifres. ESTA CRENÇA È UM DOS PILARES DA RELIGIÃO WICCA.MAS, o MODO pelo qual isso ocorre é matéria a ser livremente decidida por cada praticante, mesmo porque é questão meramente de crença pessoal.
Tanto faz que um wiccaniano creia que voltará sempre como ser humano (REENCARNACIONISTAS), ou como ser humano, animal ou planta (REENCARNACIONISTA QUE ACEITA A METEMPSICOSE – desde que esta seja “não retilínea”), ou como ser humano, animal planta e coisas inanimadas (OS QUE CRÊEM NO ETERNO RETORNO).
COMENTÁRIOS SOBRE TEXTOS TRADICIONAIS:
Alguns gostam de argumentar com o texto “MITO DA DESCIDA DA DEUSA”, de autoria de Doreen Valiente, para afirmar que a Reencarnação (entendida estrito senso como volta depois da morte apenas como outro ser humano) deve ser, literalmente, um credo wiccaniano.
Examinemos esse texto, chamado “Mito da Descida da Deusa”, que narra a descida da Deusa ao submundo, para encontrar o Deus morto. Em certo trecho se diz:
“Eles amaram e se tornaram um, pois há três grandes mistérios na vida do homem, e a magia os controla todos. Para realizar o amor, tendes que retornar novamente no mesmo tempo e no mesmo lugar daqueles que são os amados; e tendes que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amá-los de novo” (…).
Alguns interpretam esse trecho como se tratasse de Reencarnação, estrito senso (uma pessoa só retornaria como outra pessoa humana). Embora isso seja até plausível, temos que lembrar duas coisas antes de concordar com essa afirmação:
1) O texto, conquanto possa ter sido de uma inspiração ímpar, não é um texto “oficial” de nossa religião. Afinal, pagãos não podem ver em seus textos verdades absolutas. Não temos Bíblias, nem textos oficiais;
2) O texto é mito-poético, porque essa é a forma da linguagem adequada a tratar dos Mistérios. Quando se fala dos Mistérios (O que são os Deuses? Quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Por que o Todo existe e como funciona?) não se usa linguagem literal, pois a razão humana é muito pobre para compreender a totalidade universal. A linguagem não pode restringir os Mistérios, assim, o correto para falar deles – e assim o fazem todas as religiões pagãs e neo-pagãs – é usar algo que ultrapassa o estritamente racional e cartesiano: o mito, a narrativa fantástica, as artes e, especialmente a poesia.
Exatamente por estarmos no campo do mito-poético é que não podemos confinar as formas de interpretação nesta ou naquela visão individual. Assim, a “reencarnação” descrita no texto de Doreen Valiente, a nosso ver, não é a reencarnação estrita de humano/humano, mas sim o ETERNO RETORNO.
ETERNO RETORNO é expressão empregada para definir o processo pelo qual todos os seres da natureza voltam à vida, depois de suas mortes. A crença no eterno retorno implica que tudo o que está vivo voltará a viver depois da morte, porque não existe nada que rompa o processo universal dos ciclos: NASCIMENTO – VIDA – MORTE – RENASCIMENTO.
O ETERNO RETORNO é a mais abrangente forma de referir-se à volta à vida de tudo aquilo que morre. O grão retorna como planta, o animal em seus descendentes, o ser humano como ser humano. Isso seria simples e obedeceria à noção pagã de que as coisas são como são porque a natureza é assim, e ponto. A natureza, a deusa, não nos deve explicações e não é confinada a conceitos compreensíveis por pessoas humanas.
MAS, observemos que crer no Eterno Retorno não é incompatível com a crença na metempsicose não evolutiva. Será que um ser humano volta como águia, tronco de árvore ou como um cometa? Pelo que se sabe, isso seria possível, uma vez que não sabemos como a Deusa trata o conteúdo do caldeirão para o qual voltamos. Será que ela separa em categorias os seres? Será que junta tudo e os recombina? QUEM PODE DAR A RESPOSTA CORRETA? Obviamente ninguém.
Assim, É POSSÍVEL PARA UM PAGÃO CRER EM REENCARNAÇÃO ESTRITO SENSO, EM METEMPSICOSE NÃO EVOLUTIVA/retilínea OU NO ETERNO RETORNO. Todas essas maneiras são compatíveis com uma visão pagã wiccaniana de mundo.
ANÁLISE DA QUESTÃO DA “EVOLUÇÃO” REENCARNATÓRIA:
A maioria das pessoas, imbuída de valores cristãos kardecistas crê de uma maneira peremptória em um sistema reencarnatório que expressa um plano divino. Este plano seria feito em função de que, ao criar os humanos, o Deus Cristão (em que crêem os kardecistas) – que é transcendente é MAIS que a humanidade – os colocou em um sistema de provas e recompensas, que visava afastá-los de valores materiais, que são considerados grosseiros e inferiores – e aproxima-lo mais da natureza Divina, que seria exclusivamente espiritual.
SOMENTE NESSE SISTEMA DE CRENÇAS E DENTRO DA MITOLOGIA CRISTÃ É QUE SE PODE FALAR EM EVOLUÇÃO COMO UM SISTEMA DE RECOMPENSAS E DEMÉRITOS.
Acreditando em Deuses imanentes, um pagão não pode crer nisso. Ele pode sim, crer que existe matéria, existe espírito, mas ambos pertencem e integram ao TODO, que é a própria imanência dos Deuses.
Ora, evoluir não pode ser para a alma humana, em um sistema de crença pagão, nada mais do que viver certas experiências, aprender, existir, simplesmente. Retribuição é feita aqui e agora, por isso nossa crença na Lei Tríplice, ou lei Universal do Retorno. Tanto nesta vida como em todas as demais que tivermos, esse retorno por nossas ações é inevitável, MAS não é com base nele que se volta à vida. Viver neste planeta não é um castigo ou expiação, como crêem os Kardecistas, a vida é um prêmio em si mesma!
NUNCA deixaremos de voltar a viver (quaisquer que tenham sido os atos que praticamos na vida anterior), porque JAMAIS uma parte do Corpo da Deusa se destruirá. Morte, necessariamente, faz girar a Roda, por isso é que dizemos que grande lição da Deusa é a Lição dos Ciclos Infinitos.
Quando dizemos a um novato muito influenciado por visões kardecistas de mundo que não cremos na evolução nos mesmos termos de Kardec, eles literalmente costumam entrar em pânico. Por que?
Kardec ofereceu ao cristão, que vive uma mitologia que promete suplícios pós-morte a erros e más ações cometidos em vida, uma espécie de alívio. Ele e seus seguidores racionalizaram a tal ponto o imaginário relativo a como seria o pós-morte, que afirmaram que a reencarnação tinha mecanismos conhecidos e explicados pelo ser humano. Ora, não é preciso muito esforço para perceber que isso só faz sentido se centrarmos o Universo no homem, “único ser feito à imagem e semelhança de Deus”.
Ouvimos freqüentemente desses ex-kardecistas (ou pessoas muito influenciadas por pensamentos kardecistas, mesmo que não professem o espiritismo):
”VOCÊ DIZ QUE NÃO EXISTE REENCAARNAÇÃO PARA EVOLUIRMOS, ENTÃO, PARA QUE ISSO? POR QUE EXISTE A VIDA? Isso tem que ter um sentido!”
Para wiccanianos, para neo-pagãos, não é preciso de modo nenhum haver um “motivo” ou explicação para a existência da humanidade, simplesmente SOMOS, estamos aqui, somos VIDA, somos os Deuses caminhando sobre a Terra.
É PRECISO QUE, URGENTEMENTE, ESSAS PESSOAS QUE QUEREM SER PAGÃS COMPREENDAM QUE O UNIVERSO NÃO PRECISA TER MOTIVO ALGUM PARA EXISTIR, OU PELO MENOS, NÃO É NECESSÁRIO QUE ISSO SEJA EXPLICÁVEL PELA RAZÃO HUMANA. Crer que é preciso ou possível que seres humanos compreendam completamente as “razões” da Divindade, é ingenuidade. Os Mistérios e os Deuses, conquanto sejam imanentes a nós, não se esgotam em nós!
Um exemplo para tornar esta afirmação mais concreta: animais como baleias, golfinhos, morcegos e cães ouvem ou sentem cheiros que para nós humanos não existem. Isso demonstra de maneira simples que a experiência humana não abarca a totalidade da existência universal. E quantas outras coisas não estão acessíveis aos sentidos e imaginação humana, mas EXISTEM, somente não sabemos ou não compreendemos?
Pensar todo o Universo, o Todo, a Deusa, os Grandes Mistérios em termos exclusivamente humanos é cair no vicio do antropocentrismo. Vamos sair dessa ilusão?

Para os que acreditam que é preciso haver “um motivo plausível, uma razão compreendida racionalmente” para os mecanismos de funcionamento dos Mistérios, recomendo meditem sobre esta linda letra de uma música da Enya:

“WILD CHILD”
“CRIANÇA SELVAGEM”

Sempre feche os olhos,
Sempre pare e escute,
Sempre se sinta vivo
E não esta perdendo nadaVOCÊ NÃO PRECISA DE UMA RAZÃODeixe o dia seguir, seguir
Deixe a chuva cairEm toda parte a sua voltaAgora se entregue…Deixe a chuva cair, cair
Que dia!Que dia para ter!Que jeito!Que jeitoDe passá-lo!Que dia!Que dia para dedicar aUma criança selvagem!
Somente dê um tempoNa bagunça diáriaTodo dia você encontraráTodas as coisas em equilíbrioVocê não precisa de uma razão…Deixe o dia seguir, seguir…
Todo Sol de verão,Toda tarde de inverno,Toda primavera por vir,Todo outono que findaVocê não precisa de uma razãoDeixe o dia seguir, seguir.

SOBRE A INDIVIDUALIDADE DA ALMA:
Dentre aqueles que crêem em Reencarnação estrito senso, há no mais das vezes a crença de que a alma humana sobrevive individualmente e assim reencarna vida após vida, sendo a mesma alma em corpos diferentes.
Essa crença é apenas uma de muitas possíveis. Não há dogma wiccaniano sobre isso, nem há qualquer impedimento de que se acredite nisso. Esta crença esta na esfera de liberdade individual de cada praticante. Talvez Tradições mais inflexíveis contenham mandamentos sobre crenças específicas em sobrevivência de uma mesma alma individualmente, mas se existem, são crenças apenas dessa Tradição.
Entre antigos bruxos, e na comparação de antigas religiões pagãs se encontra tanto a reencarnação como sobrevivência da alma individual, como também crenças mais genéricas, em que o retorno era esperado, mas não exatamente como se fosse o mesmo indivíduo.
O neo-paganismo, em nosso sentir, pode muito bem abranger ambos esses pontos de vista.
TENTATIVA DE PAINEL DE CRENÇAS POSSÍVEIS SOBRE O PÓS-MORTE PARA WICCANIANOS:
Creio que podemos dividir as crenças mais comuns entre wiccanianos (todas perfeitamente cabíveis em nossa religião) nos grupos abaixo, observando que inventei nomes para esses grupos apenas para ser mais didática, já que não conheço uma classificação a respeito. São eles:
1) Os GENERALISTAS RADICAIS que entendem o eterno retorno como algo genérico, excluindo a idéia de reencarnação específica como outro ser humano. Para Generalistas, somos células do Corpo da Deusa e o que constitui hoje nossa individualidade amanhã pode ser reaproveitado para retornar como qualquer coisa, desde a borracha que constituirá um pneu de caminhão até uma nova estrela, ou até mesmo um outro ser humano, animal ou planta, poeira de uma das luas de Júpiter ou um grão de areia no Pacífico. Geralmente (mas não sempre) os que fazem parte deste primeiro grupo são avessos à crença em uma sobrevivência da individualidade – e por isso rejeitam a idéia de reencarnação. E mais: há um sub-grupo que eu nomearia GENERALISTAS RADICAIS, que levam ao máximo a idéia de não haver um pós-vida (acreditam que imediatamente após a morte de alguém ou algo a Deusa faz com que ele ressurja de seu caldeirão como outra parte da realidade material). Isso estaria dentro de crenças pagãs também, uma vez que mesmo para generalistas radicais a matéria e o espírito existem, embora em planos de realidade diferentes.
2) Os GENERALISTAS MODERADOS, que têm no geral a mesma crença do item 1, MAS até admitem a possibilidade de reencarnação específica como outro ser humano. Para estes, os mecanismos que regem isso são parte do Grande Mistério ( que são os Deuses Antigos e o Todo) e é um absurdo nos preocuparmos com isso, uma vez que a Deusa simplesmente vai fazer acontecer. Se precisarmos da experiência de ser um ser humano novamente, isso acontecerá, se precisarmos ser o pneu de caminhão ou o ornitorrinco albino, idem.
3) OS REENCARNACIONISTAS, que acreditam em retorno específico como seres humanos, ou seres vivos. Os REENCARNACIONISTAS ESPECÍFICOS, que crêem que humanos voltam como humanos, grãos como grãos, animais como animais, porque sempre retornamos ligados à mesma ancestralidade. Entre Reencarnacionistas Específicos, há os NÃO-INDIVIDUALISTAS que não crêem na sobrevivência da alma individual, mas sim numa sobrevivência genérica, em que a alma que era uma pessoa na vida anterior agora pode ser composta de parcelas daquela alma e de mais outras. De outro lado, há os REENCARNACIONISTAS ESPECÍFICOS INDIVIDUALISTAS, que acham que a alma sobrevive inteira e ela mesma ocupa outro corpo.Geralmente (mas não obrigatoriamente), neste grupo, se filiam os que crêem em sobrevivência do espírito fora do corpo material, crendo em fantasmas, por exemplo (entre outras crenças).
4) OS “NÃO ESTOU NEM AI”, que simplesmente nem ficam cogitando nada a respeito de como voltarão, ou do que ocorre no pós-morte, só mantendo a crença de que ocorre e ponto final.
Seriam cabíveis críticas a cada uma dessas “correntes” de crenças:
– Aos Generalistas, costuma-se contrapor a seguinte pergunta: “Eu tenho memórias de outras vidas, como isso se explica?” A resposta mais comum obtida desse grupo é bem expressa na metáfora do tapete. Imagine um tapete composto de múltiplos fios. Isso seria a sua individualidade. Quando você morre, é como se o tapete fosse desfiado pela Deusa e jogado no caldeirão. Daí ela comporá outro tapete, e pode juntar nesse tapete fios que antes foram pessoas (ou pessoas e demais seres) diferentes. Se o novo tapete contiver diversos fios que antes eram seus, ou muitos fios que antes compunham outro indivíduo, é possível que vivências e impressões do antigo “tapete” (indivíduo) cheguem ao conhecimento do novo “tapete”, porem sem serem o mesmo indivíduo.
– Aos Generalistas Radicais, que negam a existência de fantasmas e espíritos de mortos, bem como de qualquer ser extra-físico, poderíamos perguntar: “Que são, então, as pessoas que se comunicam com pessoas já mortas- e fato comprovado por fenômenos mediúnicos e paranormais – existe comunicação de seres matérias e seres imateriais, como os Guardiões dos Elementos ou Povo das Fadas?” A resposta poderia ser: são memórias ou criações astrais de pessoas vivas, ou material remanescente de outras encarnações, ou vislumbres de outros momentos do tempo. Ou então: seriam outros planos de realidade não compreensíveis com nossos sentidos ordinariamente, mas ainda seriam parte da realidade material.
SOBRE EXISTÊNCIA DE ESPÍRITOS FORA DO CORPO:
Quando se discutem esses assuntos, geralmente eles são confundidos por outro, que até lhes é paralelo, mas não trata da mesma coisa.
Existe espírito sem corpo? Existe fantasma? Se existe, o que é?
Normalmente os wiccanianos, a não ser os mais extremados Generalistas Radicais, crêem na existência de fantasmas. Um generalista radical poderia dizer que fantasma para ele é um ser criado da energia da imaginação ou da força da memória de muitas pessoas. Quem pode julgar se isso é ou não correto? NINGUÉM. Crer nisso impede alguém de ser wiccaniano? NÃO.
Um Reencarnacionista Específico Individualista afirmará que fantasma é alma de pessoas mortas. Mas muitas outras das correntes já descritas concordariam com isto, embora talvez oferecessem explicações diferentes.
MINHA CRENÇA PESSOAL:
Sou uma generalista moderada. Creio que após a morte voltaremos talvez como seres humanos, ou animais, ou plantas, ou pedras, ou objetos, ou corpos estelares, ou seja, qualquer coisa que conhecemos no Universo OU talvez coisas que a espécie humana nem saiba que existem. Creio na sobrevivência individual da alma, embora não a confine na espécie humana. Creio em astral e seres extrafísicos como realidade palpável, com quem podemos interagir e creio também que os múltiplos mundos e múltiplos tempos fazem parte da realidade universal.
CREIO QUE A IMAGINAÇÃO DA DEUSA É MUITO MAIS AMPLA QUE A NOSSA, portanto creio que nosso pós-morte possa ser tão diferente das coisas que conhecemos que nem sequer conseguiríamos descreve-lo em palavras. Summerland ou Terra do verão não é um lugar concreto, como o Paraíso ou o inferno dos Cristãos. Summerland é um modo mito-poético de descrever um mistério que nenhum humano vivo pode atingir.
Não me preocupo com nada disso, só sei que voltarei e encontrarei meus entes amados novamente. Se nós seremos humanos, ovelhas, alfaces, avestruzes ou estrelas, não sei e nem interessa agora. HOJE minha única obrigação é ser feliz e viver plenamente e em liberdade a vida que os Deuses Antigos me deram, usufruindo suas experiência, aprendendo e crescendo com elas (o que, em certo sentido, poderia ser chamado Evolução de Conhecimento).
E notem, minha tradição não tem nada a ver com esta crença. NA TRADIÇÃO DIÂNICA DO BRASIL A CRENÇA NOS MECANISMOS DO ETERNO RETORNO SÃO LIVRES, bem como o são em todas as Tradições de que tenho noticia até hoje, a não ser que já tenham criado alguma bobagem nazista como algum tipo de Fundamentalismo Pagão. Nossa!!!
Para terminar esta pequena tentativa de desfazer a barafunda de idéias confusas e não pagãs que permeiam ate mesmo os meios pagãos, eu diria: NINGUÈM SABE a resposta correta sobre pós-vida, porque não temos a percepção completa do Todo, ou talvez até a tenhamos, mas sentidos, experiência e razão humanas não são suficientes para compreende-la inteiramente. O SER HUMANO JAMAIS CONSEGUIRÁ COMPREENDER COMPLETAMENTE OS MISTÉRIOS.
BRIGAR POR CAUSA DESSES ASSUNTOS? É uma das maiores bobagens e perda de tempo que já vi.
Bênçãos plenas da Mulher Que Muda.