Intervalos

Vida de caminhante é dura. Hospitais, farmácias, sinecuras. Daqui pra lá, de lá pra cá, de cima em baixo, da nuca ao cóccix. Nos intervalos, fantasia, a memória de um cheiro, um sorriso estratégico, um grito.

Caminha-se sempre, nem sempre sabendo-se aonde se caminha. Mas na caminha, nem tão inha assim, tudo se encontra. Uma, duas, muitas – misturas, conjunções. Carnais e intelectuais, caminhos que se encontram parecendo espelhos, e pelos que se perdem pelos caminhos.

Quem sou eu, eu que caminho? Quem sois vós, que comigo caminhais – vozes roucas que não se calam. Quem somos nós que em nossos nós nos enovelamos em caminhos que entrenovelam em novelas que se cruzam?

Na linha que se mantém do caminho que já se vem que se encontra com o caminho que de lá já vem, mas que já vinha, há muito, em paralelo, fico eu, caminhante, perdido nos intervalos do vai e vem.

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