Quem sabe?

humanbite

A sabedoria nos deixa marcas.

Marcas do saber profundo profundamente gravadas nas feições de quem sabe. Quem sabe? Quem sabe essas marcas não são, na verdade, as trilhas trilhadas por quem sabe? Quem Sabe? Quem sabe as marcas não são, por outro lado, rastros de experiências vividas por quem sabe? Quem Sabe? Quem sabe as marcas não foram feitas por quem sabe? Quem sabe? Quem sabe que marcas não deixaram de ser feitas por quem sabe? Quem sabe? Quem sabe a vida não nos trouxe marcas que não sabemos existirem? Quem sabe?

Temos conosco as marcas do que vivemos, do que não vivemos, daquilo que poderíamos ter vivido. Temos conosco as marcas que fizemos, que nos foram feitas, e também as desfeitas. Temos o sabor sabido ao sabor do Tempo, temos a sapiência das saliências, rasas e profundas. Temos a vida vivida e a ser vivida, com todo o saber do sabor do gozo. Temos o gozar eterno da sabedoria plena. Temos a vida.

Que me desculpe o poeta, mas somos eternos, além de infinitos, pois a duração é eterna em cada momento. Somos significados, sempre e nunca, e Vive la Différance!! Hoje é um Tempo muito longo para se cogitar sobre sabedorias. Marcas d’água que indeléveis flutuam na leveza de nossas ponderações.

Vivemos o eterno presente e somos apresentados às marcas que nos presenteiam quem sabe… Quem Sabe? Eu fico pensando na sabedoria de não deixar marcas…

 

(#PraCegoVer o post é ilustrado com a foto de um antebraço que tem a marca de uma mordida humana.)

Anúncios

2 pensamentos sobre “Quem sabe?

  1. Sobre QUEM SABE?
    Gosto desse texto elocubrativo.

    Absorvo no teu texto que marcas /tempo são binômio mesmo.
    Teu construto do ser-saber/não-ser-saber [“Marcas d’água que indeléveis flutuam na leveza de nossas ponderações”] é poiesis corpo vivido – traçado no ato de tomar para si o que se inscreve na vida.

    Leio teu texto e ele rumina que marcas são representações do tempo imediato, saberes amalgamados de si e do outro. Vejo que retomas a Espinosa quando remete que é preciso “ voltar-se para si mesmo e fazer uma reflexão sobre as próprias ideias. Voltar-se para si mesmo excluindo toda a apreensão da coisa pensante por si mesma, excluindo toda possibilidade do cogito. Dizes, como ele, que só se conhece a si mesmo pela ação de um outro corpo sobre o seu – e indicas a espontaneidade interna na qual a mente age por si mesma. Será isso ou não?

    Bem, melhor mesmo é ser tomado pela imagem de marcas que são deleites e gozos do que se inscreve na vida – na tez das palavras- na sua capacidade de gerar marcas que feitas ou desfeitas geram o saber que sabe que sabe.

    • Amada Aondê,

      Adorei seu comentário. Adoro esses felizes encontros de pensares que se aproximam do meu. Sua leitura é, claro, uma leitura possível, que muito se aproxima da minha. Espinoza está tão vivo dentro de mim que me é impossível pensar sem pensar com ele.

Polissemize

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s