Ballet

As formas eram estranhas, triângulo que se torna em V e dali nasce um quadrado, cujo ângulo compõe mais um triângulo, e os raios da Roda se multiplicam, girando sempre num ballet de olhares e de questões, respostas provisórias, preocupações ilusórias, porém concretas, concretizando-se a tensão presente. A Luz é Chama, nada conveniente quando o chamado vem chamuscar a nafta acumulada.

Nesse ballet de olhares e questões, os toques furtivos, imprudentes, negligentes, inevitáveis em meio a tentativas fúteis de se evitar o inevitável, gasolina espalhada a céu aberto e fagulhas mil chispando em todas as direções.

Muitas questões, poucas respostas, respostas moucas, quereres e sentires que apenas aumentam o volume da Chama entrevelada no potencial da explosão que se vislumbra inevitável, bem ali após o horizonte, onde mora o Outro que compõe a Roda.

E no ballet sublime dos olhares e questões, Tântalo reina soberano, sorrindo de não se sentir sozinho com frutos inalcançáveis. Sabe bem ele como é ter a fruta ao alcance imediato da mão apenas para vê-la se afastar quando de fato se tenta alcançá-la. E o lago, que de outrora água, acumula espíritos, álcool inflamável esperando apenas a fagulha última para encandecer ensandecidamente numa conflagração altiva, supernal…

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