Descavalherismo

Não sou desses de levar café na cama. Não abro portas, não cedo passagem, divido as contas – isso quando não peço descaradamente que as paguem. Não me ofereço para carregar suas malas, não troco os pneus de seu carro, não troco suas lâmpadas.

Não. Nada disso.

Mas sirvo-me a vocês em poesia, derramo meu sentimento na ladeira escorregadia da vida. Morro quantas mortes precisar em seu nome e (re)nasço apenas pelo prazer de vê-los. Velam vocês por mim, eu sei, como velo eu e velejo no mar manso do amar tranquilo.

Sirvo-me diuturnamente em serviço, saudoso que fico de um sorriso, sorrindo sozinho comigo ao pensar apenas em vocês. Sirvo por que quero, não por cavalheirismo, esse parcelar da conta da Dama que na verdade é outra. Outra forma de se pagar, em sangue, a conta da cama.

Não. Não pago.

Divido, divido-me, endivido-me, me penhoro à guisa de doar-me, mas sem contas, pois conto apenas com o encontro reencontrado na felicidade mansa do feliz (re)encontro, Flor, Estrela e Luz.

Sou descavalheiro, não sirvo para servir apenas sevícias disfarçadas em favores rotos imanados de contas cobradas em sangue e lágrimas. Sirvo apenas pelo prazer de servir poesias matinais e minha vida rediviva revivida na (re)descoberta da vida.

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Um pensamento sobre “Descavalherismo

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