Era uma vez uma Rosa

Era uma vez uma Rosa amada, apesar de calada, calada para não ser amada, apartada de si, essa Rosa busca sair sem sentir, sem sentir-se, sem sentires, pois sentido não tem e quer, mas não sabe, ou não diz, e desdiz – Rosa giz que não risca, não arrisca, nem trisca por ser tão arisca…

Era uma vez uma Rosa erudita, que buscava na pista e na galeria, fantasiada em columbina triste sem pierrô, ritmo ou metro, mais que qualquer razão, sentir-se só sem se tornar sozinha, buscando viver em compasso de dois uma valsa, que bolero ali não cabe.

Era uma vez uma Rosa calada, gritando ao mundo a vida que supõe saber, mas sabe mais a espíritos que epítetos, a si mesma dados no girar da sorte, sorte que tão bem lhe cai que se assusta e foge – essa Rosa que se quer santa e se assombra e se espanta de si para longe.

Era uma vez uma Rosa amada, erudita calada, que cala fundo no mundo, no calor que nega a si mesma e, no fundo, cala em si mesma as marcas que recusa do mundo, dádivas esperdiçadas em salivas secas de tanto falar calada…

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