Pintura

Uma mulher com guarda sol, você é a garota com brinco de pérola no almoço de remadores, cujo beijo almejo no terraço do café à noite… Preciosa, você se abre comigo, para mim, em abertura, rósea, e eu posso me abrir com você, marrom, de minha alma, e entrar em você e explodirmos em explosão de encontros, prateados, de um valor tão imenso, intenso, que eu não consigo exprimir, palavras faltam, palavras poucas, palavras moucas, palavras roucas, cinzentas, daí eu me transbordo pelos olhos, castanhos, numa praia branca de areias marcadas pelos dedos púrpura da paixão.

Você, em mim, é o grito da noite estrelada que me faz o grande nu e me deixa guernica, me faz flores e prato de cerâmica… Isso pra mim é raríssimo. Novidade mesmo, escarlate. Você que me viu fechado, em meu mecanismo de defesa, negro, projetar inacessibilidade para que ninguém se aproximasse, vermelho, daí não se interessar para não ter chances de ser rejeitado, ardósia. Rejeitar previamente para não se ser rejeitado, fosco – me  abriu, calada, anil, disse tanto que eu nem vi o que passou por mim, atônito, roxo-acônito, e ficou, ainda nem sei bem como, calado dentro de mim, grafite.

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Um pensamento sobre “Pintura

  1. “Você que me viu fechado, em meu mecanismo de defesa, negro, projetar inacessibilidade para que ninguém se aproximasse, vermelho, daí não se interessar para não ter chances de ser rejeitado, ardósia. Rejeitar previamente para não se ser rejeitado, fosco” – Opaco. Vermeer: vidraça luminosa. Guernica – não.

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