Língua do amor

Já ouvi dizerem que o silêncio é a melhor língua para o amor. Discordo. Silêncios calam e, nesse calado profundo, marcam fundo a alma de quem se cala. Não! Não te silencies, fala, grita, ama aos berros ou aos prantos, mas não ames em silêncio, pois o silêncio mata a língua e fecha os olhos.

Já ouvi dizerem que o olhar é a melhor língua para o amor. Concordo, em parte. Olhares cintilam um amor profundo, marejam as praias dos encontros fortuitos, expressam a alma mais que qualquer palavra tua. Ainda assim, no entanto, é tanto olhar que a vida, coração, sai pela boca e nos sufoca.

Já ouvi dizerem que o beijo é a melhor língua para o amor. Talvez. O beijo na boca, na nuca, na orelha, no bico do peito, no alto do sexo, transmite um sentir urgente, mas ainda calado. No beijo nos derramamos uns nos outros, nos sentimos plenos de amor. Contudo, com tudo que um beijo traz, atrás do beijo vem sempre o corpo, corpos, sempre mais…

Já ouvi dizerem que o corpo é a melhor língua para o amor. Acho que assim é sim. O corpo é pleno, plano de suprema perfeição. O corpo traz as marcas do amor antigo, do amor presente, do amor que há de vir, no devir devaneante de já vir amado, amada, amadas, o mais do amor, no corpo.

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