Telhados

A Cidade se esmaecia sob o céu nublado, neblinas esvoaçantes, chuvisco leve. O guarda-chuva, pequeno, não dava para a mãe e o rapaz, que então cedeu a ela o uso do aparato.

Sobre os telhados, a vista urbana parecia diferente, embora ainda familiar. Eles caminhavam com algum cuidado sobre as telhas úmidas da chuva, procurando nos beirais uma forma de voltar às ruas. Cada borda, no entanto, descortinava apenas um abismo liso até o asfalto negro.

Continuaram os dois, saltando de teto em teto, buscando sempre um caminho que os trouxesse de volta ao rés do chão. Encontraram, enfim, junto à catedral no centro da Cidade, edículas configuradas em cascateantes degraus, que lhes permitiriam, afinal, chegar ao piso lhano da Urbe onírica.

O rapaz, todavia, declinou de continuar, vez que se lembrara de se haver esquecido, algo importante, em algum ponto do caminho. Retornou, então, sozinho, pelo trajeto agora familiar.

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