Café

Fazendo-se um personagem fictício para ser ele mesmo, o Gênio, pensante e genioso, saiu da garrafa, ingênuo, para tomar café, mas com o café foi tomado.

Num tempo que não existia, geniosamente se fez tempo para que o tempo se fizesse. Fez-se a luz, fez-se o tempo, brilha, brilha a estrela que nunca dorme, estremece.

Pois se a flor que outrora não fora, mas é, à luz de uma estrela que desde sempre brilhou, e brilha, da não existência veio a ser, feneceu e refloriu, assim também a estrela redobrou seu brilho, trilho de luz que da garrafa trouxe o gênio, a tempo para o café.

Chão

Loucos numa casa de loucos, vivemos roucos de não gritar, gripados de um vírus simples, mas infalível, que nos faz amar o impossível, impassíveis frente à louca roda de um porvir solúvel, líquido e mal descrito em gritos que nunca vêm, não vêem qual devir está por vir, nem quando, ou quanto, dias e meses que se arrastam, eu e você à mesa, mansa, manca, indisponíveis, mas dispensáveis, impensável futuro que já se fez ontem. Fenecendo em brasas, chama de um velho chamado, cinzas, tempo que escurece, nuvens, não vens, não vês, não vestes expectativas simples, amostras de um amor sanguíneo, típico, tipificado, exsangue agora de vigor esponte numa topologia chã.